O Oscar 2025 deixou claro que a indústria americana continua a mesma: hipócrita, previsível e obcecada por juventude e sex appeal. Anora levou a Estatueta de Melhor Filme, um filme insosso e capaz de curar a pior das insônias; mas pior que isso, Mikey Madison levou Melhor Atriz enquanto Demi Moore e Fernanda Torres entregaram atuações brutais? Enquanto eu assistia esse show de horrores, cheguei a me perguntar se eu não tinha pego no sono e aquilo era um pesadelo.
Demi Moore, que renasceu das cinzas em A Substância, fez um trabalho monstruoso, visceral, escancarando a podridão de Hollywood. Uma mulher mais velha, dona de si e expondo o sistema? Ah, claro que a Academia não ia premiar isso, Hollywood não gosta de rugas. Já Fernanda Torres entregou uma atuação absurda em Ainda Estou Aqui, mas a gente sabe como funciona: a Academia pode até dar um Oscar de Melhor Filme Internacional, mas Melhor Atriz pra uma brasileira? Num filme que denuncia os absurdos criminosos da ditadura? Nunca. Não importa o peso dramático, a entrega ou a grandiosidade da atuação. Enquanto isso, premiam uma atriz novinha com uma performance esquecível em Anora, deixando de lado a brutalidade de Demi Moore e a força arrebatadora de Fernanda Torres. No fim, Hollywood continua escolhendo o que é conveniente, não o que é incontestável.
A escolha de Mikey Madison só reforça o que A Substância denunciou: o culto à juventude, à beleza descartável e à superficialidade. O Oscar premiou o que é fácil, o que vende bem, e ignorou o que realmente teve impacto. O discurso é sempre de progresso e inovação, mas as atitudes mostram que a Academia continua tão previsível quanto sempre foi. Quanto a mim, como prometi que faria, não assistirei mais as premiações.
Hugo Lobo